EXAMES LABORATORIAIS: AUXÍLIO NO CUIDADO DOS EQUINOS
Profa. Dra. Lilian Emy dos Santos Michima
Cuidar da saúde do equino não é uma tarefa muito simples e graças à evolução tecnológica, diversos tipos de exames estão à disposição do veterinário, para auxiliar no diagnóstico de várias enfermidades e no acompanhamento do animal em seu treinamento. Mas por que realizar exames de laboratório?
É comum na rotina de um veterinário avaliar animais que parecem bem fisicamente, mas que não conseguem render todo o seu potencial. Estes equinos podem apresentar quadros brandos de diversas doenças, ainda não aparentes de maneira franca, mas já detectáveis por exames laboratoriais. Anemia leve, parasitas do sangue (como a babesiose) ou ainda lesão muscular são exemplos destas possibilidades. E quanto mais cedo no curso da doença for feito o diagnóstico, maior é a chance de total recuperação, sem que haja sequelas mais graves ao equino.
Rotina
A realização de exames laboratoriais periódicos (“check-up”) certifica o bom estado de saúde do animal e é útil na detecção precoce de alguma lesão ou deficiência que o equino possa apresentar. Assim, o hemograma realizado regularmente é útil para monitorar o estado de sanidade do equino e pode ajudar no diagnóstico de infecções ou anemia, servindo como referência para o clínico veterinário nestes casos de alteração do estado normal.
Quando se pensa em controle de verminose, o exame de fezes (coproparasitológico) é útil para a detecção de infestações no rebanho e também para se determinar a eficácia do programa anti-parasitário adotado na propriedade, podendo inclusive servir como ponto de decisão para troca de tratamento.
Transporte
Infelizmente os equinos não são livres de doenças infecciosas transmissíveis e a saída de cavalos de uma região foco de algumas enfermidades pode acabar disseminando-as para outras regiões livres. Assim, como forma de controle, é necessário fazer o exame periódico de anemia infecciosa equina (AIE), para trânsito por todo o território nacional, e de mormo, para algumas localidades. Vale lembrar que é importante não só realizar esses exames de sangue nos equinos, pois a emissão da guia de transporte exige os laudos com resultados desses testes, como também é primordial conhecer a região para onde os animais viajarão, para saber quais doenças estão presentes no local, de forma a preveni-las e evitar futuras dores de cabeça.
Esporte
Existem diversos exames laboratoriais que auxiliam no acompanhamento do cavalo atleta. O treinamento leva a adaptações do organismo a uma nova condição de exigência. Por causa da atividade física, existe aumento do consumo de oxigênio para a produção de energia e assim ocorrem alterações no hemograma, muitas vezes indicadas pelo aumento do número de células vermelhas e de hemoglobina no sangue, que são responsáveis pelo transporte do oxigênio.
A musculatura também sofre adaptações, que pode apresentar ganho de massa. Com isso, podem haver mudanças no perfil das enzimas musculares, com aumento dos seus valores, de uma maneira normal. Mas se o cavalo se exercitar além do que o seu organismo consegue suportar, ele pode apresentar elevações anormais das enzimas de até mais de 20 vezes do valor normal (dependendo da gravidade da lesão muscular), além de desidratação, anemia e comprometimento renal.
Pensando em monitoração do condicionamento físico dos equinos, o lactato é uma ótima ferramenta. Ele é produzido pela musculatura em atividade e aumenta com a sua intensidade. Com a adaptação muscular ao exercício, a tendência é apresentar menores valores de lactato para uma mesma intensidade de esforço, e o cavalo consegue alcançar maiores velocidades com o mesmo valor de lactato máximo. Assim, a dosagem da concentração do lactato avalia a adaptação do cavalo no período de treinamento e também se a carga de treino foi adequada para o animal naquele período.
Vale lembrar
Os exames de laboratório são somente um auxílio para o médico veterinário no diagnóstico de certas enfermidades. Não encontrar nenhuma alteração nos resultados dos exames não significa que o animal esteja sadio. O contrário também acontece: nem sempre aquele animal que possui alguma alteração nos resultados do exame se encontra doente; ele pode ser uma exceção à regra. Nem sempre apresentar resultados diferentes do normal é ruim; estes resultados podem indicar uma resposta do organismo do animal ao estímulo que lhe foi dado, que pode ser tanto uma atividade física ou uma infecção, como forma de proteção do corpo contra agressões do meio externo. Às vezes é necessário repetir um mesmo exame várias vezes para um acompanhamento mais minucioso do estado de saúde do cavalo, principalmente quando o quadro é considerado grave. A situação clínica do animal pode alterar repentinamente, portanto, pode ser importante a reavaliação até duas ou três vezes por dia; esta prática pode salvar a vida do equino, por permitir a decisão de alterar o tratamento do animal tão logo se constate a piora do quadro.Por último, mas não menos importante, é o médico veterinário que tem o conhecimento técnico sobre a circunstância em questão. Assim, logo que se perceba alguma alteração de comportamento do cavalo, ou caso surja alguma dúvida em relação aos exames laboratoriais, o melhor a fazer é pedir a opinião do profissional competente, para que não se criem equívocos e mal-entendidos. O veterinário acompanha a saúde do animal, mas é importante também escutar outros profissionais, que passam mais tempo em contato com o cavalo, como o tratador e o treinador, cuidando para que o bem-estar tanto físico como mental do cavalo sejam preservados.
Lilian Emy dos Santos Michima
Professora Colaboradora Adjunta do Departamento de Clínicas Veterinárias, Universidade Estadual de Londrina
lmichima@uel.br
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